:: Acervo ::
- ALBURQUERQUE, L. C. Eu: singularíssima pessoa. Recife: Inojosa, 1993.
- ALMEIDA, H. Augusto dos Anjos: um tema para debate. Rio de Janeiro: Apex. Gráfica, 1970.
- ANJOS, A. Desajustada. Rio de Janeiro: Ponjetti, 1952.
- ANJOS, A. Eu e outras poesias. São Paulo: Nacional, [19- -]
- ANJOS. A . Eu. João Pessoa: UFPB, 1999.
- BARBEIRO, W. S. Esquizomas: evocação de Augusto dos Anjos.São Paulo: A gazeta Maçônica, 1977.
- BARBOSA, F. A Contribuição para uma edição crítica das poesias de Augusto dos Anjos. São Paulo: Brasilense, 1956.
- BARROS, E. A poesia de Augusto dos Anjos: uma analise de psicologia e estilo. Rio de Janeiro: Ouvidor, 1974.
- CÂNDIDO, G. Fortuna crítica de Augusto dos Anjos. João Pessoa: SEC, 1981.
- CARVALHO, Á. Augusto dos Anjos e outros ensaios. João Pessoa: Departamento de publicidade, 1946.
- CASTRO E SILVA. Augusto dos Anjos: o poeta e o homem. Campinas: LISA, 1984.
- CASTRO E SILVA. Augusto dos Anjos: poeta da morte e da melancolia. Curitiba:Guairá, [19- -]
- COUTINHO, O. R. Augusto dos Anjos: o engenho e a arte. João Pessoa: A União,1999.
- HELENA, L. Acosmo-agonia de Augusto dos Anjos. Rio de Janeiro:Tempo brasileiro, 1984.
- IENACO, C. R; MORAIS, R. I. A memória do eu e do nós. Juiz de Fora: Gráfica, 1991.
- LYRA FILHO, João. A lírica de Augusto dos Anjos. Rio de Janeiro: Leitura, [19- -]
- MAGALHAES JR., R. Poesia e vida de Augusto dos Anjos. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1977.
- MELO FILHO, M.; PONTES, J. Augusto dos Anjos a saga de um poeta. Rio de Janeiro: Ed. Graff. 1994.
- MELO, A. L. N. Augusto dos Anjos e as origens de sua arte poética.Rio de Janeiro: José Olympio, 1942.
- NÔBREGA, H. Augusto dos Anjos e sua época. João Pessoa: UFPB, 1962.
- NÔBREGA, H. Cadeira n.1: Augusto dos Anjos. João Pessoa, 1971.
- NÔBREGA, J. F. A sombra do “Eu”. São Paulo:[s.n], [19- -]
- OBRA discussão e crítica num centenário: 100 anos de Augusto dos Anjos. João Pessoa: A União, [19- -]
- PINTO, L. Augusto dos Anjos e as interpretações deformadoras. Rio de Janeiro: Aurora, [19- -]
- PINTO, L. Augusto dos Anjos: sua escola poética origens do seu pessimismo e supersensibilidade. João Pessoa: Academia Paraibana de Letras, 1964.
- PRESENÇA LITERARIA. Ano 1, n.4,abr./jun. 1984. Trimestral
- PROÊNÇA, I. C. O poeta do Eu. Rio de Janeiro: Cátedra, 1975.
- PROÊNÇA, M. C. Augusto dos Anjos e outros ensaios. Rio de Janeiro: Grífo 1976.
- QUEIROZ, O..Uma voz no plenário. Brasília: Coordenação de publicações, 1976.
- RAMOS, A. Augusto dos Anjos resgate historico. [S. l.]: [s.n.],2002.
- RAMOS, A. Augusto dos Anjos: resgate histórico. João Pessoa: IHGP, 2000.
- REIS, Z. C. Augusto dos Anjos: poesia e prosa. São Paulo:Atica, 1977.
- RIBEIRO , D. A. A música em Augusto dos Anjos. João Pessoa: Secretaria de Educação e Cultura, [19- -]
- SEXTO festival de arte: vida e poesia de Augusto dos Anjos. João Pessoa: Secretaria de Educação e Cultura, 1981.
- SILVA M. H. C.; OLIVEIRA, A. B. L.. Vocabulário poético do Eu: glossário. João Pessoa: UNIGRAF, 1986.
- SILVA, M. F. Augusto dos Anjos: vida e poesia. João Pessoa: Idéia, 2001.
- SOUZA, B. S. Augusto dos Anjos: o patrono. Goiânia,1997.
- TORRES, A. Augusto dos Anjos: Eu e outros poesias. Rio de Janeiro: Bicfeschi, 1944.
- TRINDADE, J. ; SILVA, M. F. da. Augusto dos Anjos: sua vida, sua obra. João Pessoa: Academia Paraíba de Letras. 1985.
- UMA breve contribuição bio-bibliográfica sobre Augusto dos Anjos. João Pessoa: Grafset, 1885.
- VIANA, Chico. O evangelho da podridão: culpa e melâncolia em Augusto dos Anjos. João Pessoa: UFPB, 1994.
- VIDA e poesia de Augusto dos Anjos. João Pessoa: SEC, [19- -]
- VIDAL, A. O outro eu de Augusto dos Anjos. Rio de Janeiro: José Olympio, 1967.
Em 1984, quatro meses após assumir a Presidência da Academia Paraibana de Letras, o acadêmico – escritor Luiz Augusto Crispim realizava o velho sonho de criar, na Casa do Pensamento Paraibano, um espaço específico para homenagear o autor do “EU” uma das suas primeiras
decisões, à frente da APL, foi mobilizar toda uma equipe para a instalação do Memorial que seria dedicado ao poeta Augusto dos Anjos.
Durante 30 dias, essa equipe, composta pela arquiteta Jussara Silveira Dantas, a professora Helena Cruz e pelo poeta Otávio Sintônio Pinto, fizeram o levantamento da vida e da obra do poeta paraibano. O resultado desse trabalho foi registrado em 14 painéis, contando com o apoio do fotógrafo Bezerra, que fez as fotos, no Engenho Pau d´Árco, e em Leopoldina-MG. A idéia era demonstrar um pouco da história da vida e da obra de Augusto, através de imagens impressas no próprio acrílico dos painéis.
Augusto de Carvalho Rodrigues dos Anjos nasceu em Sapé, a 20 de abril de 1884, no Engenho Pau d’Arco (atual Usina Santa Helena), na época, pertencendo ao município de Espirito Santo. Era filho de Alexandre Rodrigues dos Anjos e Córdula Fernandes de Carvalho. Pelo ramo materno, descendia de velha e tradicional família da várzea do Rio Paraíba, seu avô, o Bacharel João Antônio Fernandes de Carvalho, foi Deputado Provincial, Oficial da Ordem da Rosa e prócer conservador em Pilar. Em 1859, hospedou, no Engenho Pau d’Arco, o Imperador Pedro II e sua comitiva, de passagem para Mamanguape.
Humberto Nóbrega, em seu discurso de posse na Academia Paraibana de Letras, fala dos ancestrais do consagrado poeta, relembrando velhos nomes dos Fernandes de Carvalho e dos Sanches Massa, estes últimos mais conhecidos como família Pacatuba. Do ramo paterno, evocou nomes ligados aos fatos da hist6ria política de Pernambuco. Seu pai, o Bacharel Alexandre Rodrigues dos Anjos Júnior era natural de Recife. Chegou à Paraíba como Juiz Municipal de Pedras de Fogo, fixando-se depois, no Engenho Pau d’ Arco, onde viveu os seus últimos anos. Descendia do português Manoel Rodrigues dos Anjos, nascido no Funchal, em 1763.
No Engenho Pau d’ Arco, iniciou Augusto dos Anjos os seus estudos, recebendo do pai os ensinamentos que marcaram profundamente a sua obra poética. Para José Américo de Almeida, o duro aprendizado a que foi submetido criou o “ËU”, fechando-o, ainda menino, na introspecção que ficou como uma das suas características. “0 Pai, homem instruído, versado nas humanidades era o mestre. Pai professor tem uma dupla autoridade, principalmente, descobrindo no filho uma centelha. Puxou por ele. 0 menino tomou gosto pelo estudo, porque era essa a sua natureza e ficou sério. Perdeu a meninice antes de perder a inocência.”
Saiu do Engenho para os exames preparatórios do Lyceu Paraibano, onde Orris Soares o viu como “um pássaro molhado, todo encolhido nas asas”. Começou a ser notado pelos colegas, tanto pelo temperamento arredio coma pela universidade dos seus conhecimentos. Alguns, que dele se aproximaram, perceberam algo de estranho nos versos excêntricos que fugiam ao convencionalismo das escolas dominantes. Suas primeiras produções foram recebidas com reservas. Eram novidades que não animavam a uma critica ou apreciação.
Bacharel em Direito pela Faculdade do Recife, retornou à Paraíba. 0 engenho, decadente e arruinado, não o atraiu. Não quis enveredar por nenhuma das atividades jurídicas facultadas pelo seu diploma. Preferiu o magistério, foi nomeado professor de Literatura Brasileira do Lyceu Paraibano, tornando-se um nome conhecido nos meios literários da cidade. Os jornais iam publicando os seus versos. Em 1909, pronunciou uma conferência sobre os escravos no Teatro Santa Roza. E, apesar de sua conhecida e proclamada misantropia, ainda colaborando em jornais, explorando a brejeirice da musa jocosa que movimenta os festejos da padroeira. Até anúncios comerciais, em versa, deixou sair nas paginas do NONEVAR, conforme a surpreendente revelação de HumbertoNóbrega.
Em 1909, o poeta tenta uma licença para viajar ao Rio de Janeiro. 0 Presidente João Machado não acolhe o pedido, sob a alegação de que a sua condição de professor interino não lhe permitia o afastamento temporário do cargo, mesmo em gozo de licença, o que provocou sério incidente com o governador paraibano e, consequentemente, a sua definitiva transferencia para a antiga capital do pais. No Rio, enfrentou serias dificuldades como professor particular, integrando,, depois, o corpo docente do Colégio Pedro II e o da Escola Normal.
Desacreditado por alguns intelectuais de renome, como o poeta Olavo Bilac, que não enxergou nenhum mérito em sua poesia, sentiu-se abatido pela indiferença dos editores que não se interessaram pela publicação do “EU”. Depois de várias tentativas, conseguiu editá-lo. À edição princeps, de I912, seguiram-se numerosas reedições que o consagraram, atualmente, como o mais reeditado dos poetas brasileiros.
Esgotado pela vida difícil que levara no Rio de Janeiro, sentiu minar-se, dia a dia, a sua resistência orgânica, o que o obrigou a recorrer a um clima que lhe restaurasse as energias gastas nas canseiras do magistério. Arranjaram-lhe um emprego, em Minas Gerais, e para lá se transferiu, em 1914, como Diretor do Grupo Escolar Ribeiro Junqueira, em Leopoldina. De nada valeu esse esforço pela recuperação de sua saúde, falecendo, naquela cidade, a 12 de novembro de 1914, vitimado por uma pneumonia.
É patrono da cadeira nº 1 da Academia Paraibana de Letras, que teve como fundador o jurista e ensaísta José Flósculo da Nóbrega e como primeiro ocupante o seu biógrafo Humberto Nóbrega, sendo ocupada, atualmente, por Waldemar Bispo Duarte.
1884 - Em 20 de abril, nasce Augusto Carvalho Rodrigues dos Anjos, no Engenho Pau d’Arco, no interior da Paraíba, o terceiro filho de Alexandre Rodrigues dos Anjos e Córdula de Carvalho Rodrigues dos Anjos, mais conhecida como Sinhá-Mocinha. É alfabetizado pelo pai.
1885 – 27 de fevereiro é batizado na Capela do Engenho Pau d’Arco.
1900 - Presta exames preparatórios para o Liceu Paraibano. Aparecimento de seu primeiro soneto “Saudade”, no “Almanaque do Estado da Paraíba”. Começa a viajar com freqüência a João Pessoa, relacionando-se com a intelectualidade local.
1901 - Publica no Jornal “O Comércio” o soneto “Abandonada”, dando início a uma colaboração que será mantida por um bom período com outros poemas e alguma prosa.
1903 - Muda-se para o Recife, onde ingressa na Faculdade de Direito.
1905 - Morre seu pai. Seis dias após, publica no “O Comércio”, os três célebres poemas dedicados a ele. Continua a publicar poemas pela imprensa e em outubro inicia a “Crônica Paudarquense”, em prosa.
1906 - Matricula-se no 4º ano de Direito. Sai em “O Comércio”, “Queixas Noturnas”, “Poemas Negros” e “Versos Íntimos”.
1907 - Conclui o Curso de Direito. Tinha como colegas Gilberto Amado e Orris Soares.
1908 - Transfere-se para a capital da Paraíba, onde dá aulas particulares. É nomeado professor interino de Literatura do Liceu Paraibano. Colabora no Jornal Nonevar.
1909 - Na “A União”, publicou diversos poemas, durante esse ano. Profere, no Teatro Santa Rosa, discurso nas comemorações do 13 de maio, chocando a platéia por seu léxico incompreensível e bizarro.
1910 - Casa-se com Ester Fialho e desliga-se do Liceu Paraibano por intransigência do governador João Machado. Viaja para o Rio de Janeiro, embarca com a mulher no paquete Acre e ali chega no mês de outubro. Ao chegar, hospeda-se em uma pensão, no Largo do Machado. Muda-se em seguida para a Avenida Central. Sua família vende o Engenho Pau d’Arco.
1911 - A 2 de fevereiro, sua mulher, grávida de 6 meses, perde a criança. Assume o cargo de professor de Geografia na Escola Normal e no Colégio Pedro II. Nasce morto o primeiro filho com sete meses incompletos.
1912 - Escreve no jornal “O Estado”. Termina a impressão do EU, custeado por ele e por seu irmão Odilon, numa primeira tiragem de 1000 exemplares. O livro é recebido com grande impacto e estranheza por parte da critica, que oscila entre o entusiasmo e a repulsa. No dia 12 de junho nasce sua filha Glória.
1913 - Nasce seu filho Guilherme.
1914 - É nomeado diretor do Grupo Escolar Ribeiro Junqueira, em Leopoldina, Minas Gerais, onde passa a residir. Em 30 de outubro adoece, vindo a falecer a 12 de novembro de pneumonia.
1920 - Aparece, na Paraíba, “Eu e Outras Poesias”, acrescido das poesias coligidas por Orris Soares, que preparou e prefaciou essa edição.
1928 - Ainda por interferência de Orris Soares, a Livraria Castilho, do Rio, lança a 3ª edição. Sem data, posteriormente, a Companhia Editora Nacional, de São Paulo, publicou a 4ª edição.