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Direto de Cabaceiras
A União – 26 de janeiro de 2008
Quando Juarez Farias saiu de Cabaceiras, no Cariri paraibano, ainda menino, jamais imaginou as surpresas que o mundo lhe reservaria. Ainda muito pequeno, com nove anos, Juarez começou trabalhar no Cartório do seu pai, Manoel Cavalcante de Farias, ainda em Cabaceiras, enquanto seu irmão mais velho foi enviado para estudar em Campina Grande.
Era sempre assim: o velho Manoel Farias mandava os filhos mais velhos estudar fora de Cabaceiras, enquanto os mais jovens lhe ajudavam no Cartório. Juarez só se livrou do trabalho no Cartório aos 14 anos, quando uma irmã mais nova do que ele ocupou seu lugar na ajuda ao pai.
Antes, quando ainda estudava o primário em Cabaceiras, apareceu por lá um juiz de Direito chamado Antônio Taveira de Farias, amigo do escrivão Manoel Farias. Juarez diz que deve boa parte do seu aprendizado a esse homem.
Nas horas de folga do trabalho na Comarca, o Doutor Taveira reunia os meninos de Cabaceiras e lhes dava aulas sobre os mais variados assuntos. “Conheci todas as partes do globo terrestre através das aulas de Geografia do Doutor Taveira”, conta ele.
O juiz pegava o mapa mundi e lançava um desafio aos meninos: “vamos fazer uma viagem do Brasil ao Japão sem passar por nenhum porto”. Os meninos teriam que encontrar a rota mais próxima para encontrar o País lá do outro lado do Globo. Juarez mostrou-se mestre nessas navegações imaginárias e assim aprendeu muito de Geografia.
Terminado o curso primário, Cabaceiras tornou-se pequena para o pequeno Juarez. Assim, ainda de menor idade, ele foi despachado para estudar em Campina Grande. Chegou e foi logo procurar um emprego, já que acreditava que o pai não dispunha de recursos para manter mais de um filho estudando fora.
Chegou à cidade com 15 anos e foi prestar o Exame de Admissão no Colégio Pio XI. Acabou tirando a nota máxima em todas as matérias, graças, lembra ele hoje aos 74 anos, as aulas particulares do Doutor Taveira sobre as matérias mais variadas.
Por conta das boas notas que obteve, acabou ganhando uma bolsa de estudos do então prefeito Elpídio de Almeida. E, de quebra, ainda ganhou um emprego no Cartório de Cristino Montenegro, um tio de Aloísio Campos.
No primeiro dia de trabalho todos ficaram admirados com a desenvoltura daquele menino branco e magricela. Juarez era um exímio datilógrafo e sabia fazer tudo dentro de um Cartório, graças ao aprendizado no empreendimento do pai.
Sua primeira tarefa foi fazer um inventário. Todos achavam que ele não saberia fazer aquilo, mas lhe deram a tarefa. Juarez Farias não só fez o inventário completo, como terminou a tarefa em tempo recorde sem um único erro de datilografia.
“Esse menino só pode ter parte com o diabo”, bradou o velho Cristino Montenegro, que não “girava bem do juízo”, para os funcionários do seu Cartório. Logo Juarez ganhou a confiança da esposa de Cristino, que lhe entregava até a chave do cofre onde era guardado o dinheiro.
Cristino tinha problemas mentais e acabou se desentendendo com aquele menino frágil. Então Juarez deixou o empregou e foi trabalhar numa fábrica de mosaico. De lá saiu para trabalhar no escritório de Aloísio Campos.
Nessa época, ele se preparava para iniciar o Clássico (que depois virou o Científico e hoje o Ensino Médio) no Colégio Estadual da Prata. Durante o período em que trabalhava no Cartório, ele acabou conhecendo Aloísio Campos, que passou a admirar sua forma de trabalhar.
Juarez entrou no Estadual da Prata e envolveu-se com a política estudantil, um outro grande aprendizado para sua vida. Em meio ao curso, Aloísio Campos foi nomeado para exercer uma Diretoria no Banco do Nordeste do Brasil (BNB), em Fortaleza.
Sua primeira providência foi convidar Juarez para ir trabalhar com ele. “Naquela época trabalhar no BNB era uma glória e eu não poderia perder essa oportunidade”, diz. Transferiu-se para Fortaleza. Chegou numa quinta-feira que antecedia o carnaval.
Foi morar numa pensão e aproveitou para entrar numa livraria e gastar todas as suas reservas financeiras (que eram poucas) na compra do livro “Memórias do Cárcere”, de Graciliano Ramos. Enquanto a população se esbaldava pelas ruas ao som de marchinhas, Juarez lia o livro comprado numa pensão coberta de percevejos.
Passada a festa, ele matriculou-se no Colégio Estadual do Ceará para concluir o Clássico e iniciou o trabalho com Aloísio. Aí surgiu um concurso para o BNB. Segundo ele, 600 candidatos foram inscritos para apenas 13 vagas.
Juarez estava entre os classificados e foi aí que ele viu o quanto tinha sido importante o aprendizado de datilografia. “Enquanto os outros catavam as letras na máquina, eu datilografei minha prova quatro vezes”, conta. Aí as coisas começaram a melhorar, mas ele continuava trabalhando.
“Durante toda a minha vida nunca freqüentei escola, colégio ou faculdade durante o dia. O dia era para trabalhar. A noite para estudar”, orgulha-se Juarez.
Com cinco meses em Fortaleza, Juarez uniu-se ao paraibano Odemar Agra, também estudante de lá, e acabaram tomando o Grêmio Estudantil. A tática era a mesma que eles haviam usado para chegar ao Grêmio do Estadual da Prata: visitar as salas de aula fazendo pequenos discursos.
No caminho, uma mudança
Terminado o Clássico, em Fortaleza, ele muda-se para Recife, onde foi estudar Direito, para satisfazer a vontade do pai. No meio do curso, Juarez abandona tudo e vai estudar Economia. Quando concluiu o curso de Economia, o pai lhe deu o dinheiro para comprar o anel de formatura.
Juarez entrou numa loja e ao invés de comprar o anel que tanto iria orgulhar seu pai, acabou gastando todo dinheiro na compra de discos. Voltou a Cabaceiras e ouviu um pedido pai: “Eu quero que você conclua o curso de Direito”. Ele voltou a Recife, concluiu o curso e acabou comprando o tal anel, agora com o seu próprio dinheiro.
É como economista que Juarez se destaca. Trabalhou no BNDES com Roberto Campos, na Sudene com Celso Furtado, na Cepal com Regino Boti, que depois seria ministro da Economia de Fidel Castro, em Cuba.
Na Sudene ele fez o primeiro diagnóstico do setor têxtil do Nordeste a pedido de Celso Furtado. “Celso gostava de trabalhar com gente jovem e eu era um rapaz com apenas 27 anos de idade”, afirma Juarez. “O Nordeste e o Brasil devem muito as idéias de Celso”, conclui.
Mas aí veio o golpe de 64 e o economista Celso Furtado foi banido da Sudene. O apanhado de fatos, episódios e dados que Juarez tem dessa época daria um excelente livro. São cenas de arrepiar, passagens para ficar na história, como a do dia em que um general chega para comunicar a Celso que a Sudene estava sob intervenção.
Conta Juarez que Celso não reclamou. Apenas disse para o general: “nós estamos diante de um impasse. Eu estou aqui nomeado por um presidente eleito pelo povo. O senhor veio para fazer a intervenção. A história vai registrar a minha e a sua posição”, disse o economista.
Quando João Agripino foi eleito governador, seu vice era Severino Cabral, que acabou deixando o cargo para candidatar-se a prefeito de Campina Grande. Juarez, por insistência de João Agripino (que precisava cuidar da sua campanha para o Senado), acabou enviando uma mensagem à Assembléia Legislativa elegendo Juarez como vice-governador da Paraíba.
Tanto que Juarez acabou assumindo o Governo da Paraíba várias vezes nas ausências do titular do cargo. Foi, portanto, governador do Estado com diversos atos assinados.
Um outro episódio marcante na vida de Juarez é o que ele quase torna-se governador da Paraíba na sucessão de Ernani Sátiro, em 1975. O general Reynaldo Almeida, filho do ministro José Américo de Almeida havia pedido para indicar dois governadores: o da Paraíba e o do Paraná. Juarez estava certo que seria o indicado, mas acabou perdendo a indicação para Ivan Bichara Sobreira, então apadrinhado do general Reynaldo.
Atualmente Juarez é conselheiro aposentado do Tribunal de Contas do Estado (TCE) e presidente da Academia Paraibana de Letras (APL), além de manter um escritório de advocacia e consultoria econômica.
Zé Euflávio
ESPECIAL PARA A UNIÃO
Marcus Antonius
fotos

Quando Juarez Farias saiu de Cabaceiras, no Cariri paraibano, ainda menino, jamais imaginou as surpresas que o mundo lhe reservaria. Ainda muito pequeno, com nove anos, Juarez começou trabalhar no Cartório do seu pai, Manoel Cavalcante de Farias, ainda em Cabaceiras, enquanto seu irmão mais velho foi enviado para estudar em Campina Grande.

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http://jornaldaparaiba.globo.com/gera-3-150906.html
Juarez Farias assume a presidência da APL (15/09/2006)
* BETH TORRES
O acadêmico Juarez Farias foi empossado, na noite de ontem, em João Pessoa, na presidência da Academia Paraibana de Letras (APL). Em uma solenidade que contou com a participação de escritores e políticos, entre outros convidados, o antigo presidente Joacil de Brito Pereira transmitiu o cargo para Juarez Farias.
O escritor, que ocupa a cadeira de número 26, foi escolhido pela maioria dos acadêmicos e ficará no cargo por um período de dois anos. Ele disse que recebe com muita humildade e muita honra a nova atividade. “Eu vou suceder a um presidente do nível de Joacil de Brito Pereira, que tem toda uma história na academia, com um trabalho de empenho, dedicação e de sacrifício”, destacou.
Ao todo são 40 acadêmicos, e de acordo com o novo presidente, 90% deles votaram e escolheram o seu nome. O acadêmico contou que em sua gestão dará continuidade ao trabalho que vinha sendo desenvolvido pelo seu antecessor e vai tentar desenvolver algumas frentes novas de trabalho, para que a academia se renove e acompanhe a modernidade. “Eu quero gerar um maior contato com as universidades e com a mocidade. Também quero possibilitar um maior entrosamento com as empresas privadas, para que elas nos ajudem a preservar essa academia, que tem sobrevivido do sacrifício pessoal de seus presidentes”, destacou.
O ex-presidente da Academia Paraibana de Letras, Joacil de Brito Pereira, tem 83 anos e é natural da cidade de Caicó, no Rio Grande do Norte, mas veio morar na Paraíba aos 6 anos. Ele ficou no cargo por cinco mandatos, sendo quatro deles consecutivos. “Eu tenho muita fé nessa nova diretoria, pelo alto nível dos componentes”, destacou.
Juarez Farias tem 73 anos e é natural de Cabaceiras. Faz parte da Academia Paraibana de Letras desde 2004. Ele ocupa a cadeira número 26, que tem como patrono o Padre Rolim e que pertenceu ao ex-governador Tarcísio Buriti. O acadêmico é autor de perfis, posições e posicionamentos e análises, publicadas em revistas nacionais e internacionais.

* BETH TORRES (Jornal da Paraíba)

Juarez FariasO acadêmico Juarez Farias foi empossado, na noite de ontem, em João Pessoa, na presidência da Academia Paraibana de Letras (APL). Em uma solenidade que contou com a participação de escritores e políticos, entre outros convidados, o antigo presidente Joacil de Brito Pereira transmitiu o cargo para Juarez Farias.

O escritor, que ocupa a cadeira de número 26, foi escolhido pela maioria dos acadêmicos e ficará no cargo por um período de dois anos. Ele disse que recebe com muita humildade e muita honra a nova atividade. “Eu vou suceder a um presidente do nível de Joacil de Brito Pereira, que tem toda uma história na academia, com um trabalho de empenho, dedicação e de sacrifício”, destacou.

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