Posts Tagged ‘política’

http://www.auniao.pb.gov.br/v2/index.php?option=com_content&task=view&id=9523&Itemid=39
Entre a poesia e a política
11 de agosto de 2007
À exceção de presidente da República, Ronaldo Cunha Lima é o único político de toda história da Paraíba que já ocupou todos os cargos que um brasileiro pode ocupar pelo voto popular. O final da frase até rima e foi com a poesia misturada à política que ele conseguiu popularidade e admiração.
Menino pobre dos arredores de Guarabira, ele lembra no poema “Sonhos e Caminhos” um pouco dessa fase ao dizer: “quando criança, vivi sonhos bisonhos; fiquei adulto e descobri caminhos”.
De origem pobre, com a morte do pai, ele se muda com a mãe e os irmãos para a cidade de Campina Grande e aí traça o seu destino. Se envolve com estudantes, políticos, poetas e boêmios e alicerça a sua vocação para a política e a poesia.
É nessa fase que toma conhecimento da obra do poeta Augusto dos Anjos. Pronto, foi um choque. Um desses encontros que toma conta das entranhas e deixa as pessoas anestesiadas. Ronaldo mergulhou na obra e vida do poeta de Sapé e tornou um especialista no assunto.
A paixão pela poesia de Augusto iria lhe mostrar a face depois, porque numa fase difícil de sua vida, com os direitos políticos cassados, e exilado da Paraíba, (até maldito por alguns) ele ganhou dois prêmios na televisão falando sobre a vida e a obra do poeta do “Eu”.
Além de popularidade e admiração, Ronaldo ganha os prêmios em dinheiro, o que não era nada mal para quem estava longe da sua terra com a família. Professor e estudioso da língua portuguesa, é contra o americanismo em nosso idioma e tem trabalhos publicados sobre o assunto.
No Senado Federal, uma das suas vias de atuação era exatamente essa: a defesa da nossa língua, sem interferências estrangeiras. “A língua é o nosso maior patrimônio”, diz.
Hóspede de Ronaldo, no Rio de Janeiro, durante algum tempo, Fernando Catão, seu cunhado, conta que o poeta só conseguia gravar na memória as informações sobre Augusto dos Anjos se uma pessoa lesse os poemas para ele. “Acho que isso é coisa de uma memória auditiva”, diz hoje o deputado Ronaldo Cunha Lima.
Uma infância pobre e difícil
Ronaldo José da Cunha Lima nasceu na cidade de Guarabira, no Brejo da Paraíba, em 18 de março de 1936, fruto da união do senhor Demóstenes da Cunha Lima e D. Francisca Bandeira da Cunha Lima, D. Nenzinha, como era conhecida.
Ronaldo estudou no Colégio Pio X e no Colégio Estadual da Prata de Campina Grande. Bacharelou-se em Ciências Jurídicas pela Faculdade de Direito da UFPB e é casado com Maria da Glória Rodrigues da Cunha Lima com quem tem 4 filhos: Ronaldo Cunha Lima Filho, Cássio Cunha Lima, Glauce Cunha Lima e Savigny Cunha Lima.
Em 1951, iniciou a vida como vendedor de jornais, em Campina Grande, depois como garçom, no restaurante do seu irmão Aluísio. Trabalhou também na Associação Comercial de Campina Grande, na Rede Ferroviária do Nordeste e no Cartório de D. Nevinha Tavares.
Tudo isso para custear os seus estudos e ajudar as despesas domésticas, porque o seu pai, pobre, faleceu muito cedo, deixando D. Nenzinha com a responsabilidade de criar e educar a família numerosa. Ronaldo também desde jovem, já demonstrava vocação para a política. Ainda estudante, Ronaldo foi representante estudantil e vice-presidente do Centro Estudantil Campinense.
Começou a sua carreira política muito cedo como vereador de Campina Grande. Em 1968 foi eleito prefeito de Campina Grande e tomou posse no dia 31 de janeiro de 1969. Em 14 de março desse mesmo ano teve seus direitos políticos cassados pelo Regime Militar.
Perseguido, mudou-se para São Paulo com a família e depois para o Rio de Janeiro, recomeçando a sua carreira de advogado. Anistiado, voltou à Paraíba e em 1982 foi reconduzido pelo voto popular à Prefeitura de Campina Grande. Como prefeito, construiu o Parque do Povo. Foi governador do Estado da Paraíba (1991/1994), Senador da República (1995/2002) e é atualmente deputado federal, eleito pela 1ª vez em 2002 com mais de 95 mil votos e reeleito em 2006 com 124.192 votos.
Estudioso da obra do poeta Augusto dos Anjos, Ronaldo participou com brilhantismo, do programa de televisão, Show sem Limite, respondendo sobre a vida e a obra do grande poeta paraibano.
É membro da Academia Campinense de Letras, Membro do Conselho Federal da OAB. É membro da Academia Paraibana de Letras, para onde foi eleito em 11 de março de 1994. Tem vários livros publicados.
Seu poema mais famoso
Em Campina Grande, em 1955, um grupo de boêmios fazia serenata numa madrugada fria do mês de junho, quando chegou a polícia e apreendeu o violão. Decepcionado, o grupo recorreu aos serviços do advogado Ronaldo Cunha Lima, então recentemente saído da faculdade e que também apreciava uma boa seresta. Ele peticionou em Juízo, para que fosse liberado o violão.
Esse pedido ficou conhecido como “Habeas Pinho” e enfeita as paredes de escritórios de muitos advogados e bares em praias do Nordeste.
Veja a petição:
Habeas Pinho
Exmo. Sr. Dr. Juiz de Direito
da 2ª Vara desta Comarca
O instrumento do crime que se arrola
neste processo de contravenção
não é faca, revólver nem pistola,
é simplesmente, doutor, um violão.
Um violão, doutor, que na verdade
Não matou nem feriu um cidadão.
Feriu, sim, a sensibilidade
de quem o ouviu vibrar na solidão.
O violão é sempre uma ternura,
instrumento de amor e de saudade.
O crime a ele nunca se mistura.
Inexiste entre eles afinidade.
O violão é próprio dos cantores,
dos menestréis de alma enternecida
que cantam as mágoas que povoam a vida
e sufocam suas próprias dores.
O violão é música e é canção,
é sentimento vida e alegria,
é pureza é néctar que extasia,
é adorno espiritual do coração.
Seu viver como o nosso é transitório,
mas seu destino, não, se perpetua.
Ele nasceu para cantar na rua
e não para ser arquivo de cartório.
Mande soltá-lo pelo amor da noite
que se sente vazia em suas horas,
p’ra que volte a sentir o terno açoite
de suas cordas leves e sonoras.
Libere o violão, Dr. Juiz,
Em nome da Justiça e do Direito.
É crime, porventura, o infeliz,
cantar as mágoas que lhe enchem o peito?
Será crime, e afinal, será pecado,
será delito de tão vis horrores,
perambular na rua um desgraçado
derramando na rua as suas dores?
É o apelo que aqui lhe dirigimos,
na certeza do seu acolhimento.
Juntada desta aos autos nós pedimos
e pedimos também DEFERIMENTO.
O juiz Arthur Moura deu sua
sentença no mesmo tom:
“Para que eu não carregue
remorso no coração,
determino que se entregue
ao seu dono o violão”.
Mandatos Eletivos
Vereador (1959-1963) em Campina Grande (PTB); Deputado Estadual, 1963-1967, (PTB); Deputado Estadual, (1967-1969), (PTB); Prefeito (1969-1969), Campina Grande (PTB); Prefeito, 1983-1988, Campina Grande (PMDB); Governador (1991-1994) (PMDB); Senador, (1995-2003) pelo PMDB; Deputado Federal, 2003-2007, PB, PSDB. Deputado Federal (2007-2011) pelo PSDB.
Bibliografia
50 canções de amor e um poema de espera; Livro dos tercetos; Em defesa da língua portuguesa, (discurso no Senado Federal; 3 seis, 5 setes, 4 oitos e 3 noves – grito das águas (discurso no Senado Federal); Roteiro sentimental – fragmentos humanos e urbanos de Campina Grande;Azul Itinerante; Nas Entrelinhas; Breves e Leves Poemas; Sal no Rosto; Gramática Poética.
José Euflávio
especial para a união

À exceção de presidente da República, Ronaldo Cunha Lima é o único político de toda história da Paraíba que já ocupou todos os cargos que um brasileiro pode ocupar pelo voto popular. O final da frase até rima e foi com a poesia misturada à política que ele conseguiu popularidade e admiração.

Leia mais »

Pesquisar
Agenda
setembro 2010
S T Q Q S S D
« ago    
 12345
6789101112
13141516171819
20212223242526
27282930  
Palavras-Chave